ESPECIAL
A SENHORA TELEVISÃO
Actualmente bate-se pela liderança das tardes da televisão portuguesa, mas há muito tempo que Júlia Pinheiro dá cartas na apresentação. Pedro Gomes dá-lhe a conhecer todo o seu percurso num especial sobre a apresentadora.


Em criança sonhava ser arqueóloga. O tempo passou e o gosto pela comunicação falou mais alto.

Licenciada em Línguas e Literaturas, com uma pós-graduação em Ciências da Comunicação e uma passagem pelo Conservatório Nacional, Júlia Pinheiro é, hoje em dia, uma das apresentadoras mais versáteis da televisão portuguesa.

Estreou-se na televisão em 1983, na RTP, com o programa musical “Estamos N’Essa”, passou por diversas emissoras de rádio, até que Maria Elisa a convidou para integrar a equipa fundadora da SIC, em 1992.

  

A Era SIC

Ao lado de Nuno Santos apresentou o programa que deu voz a muitos portugueses: “Praça Pública”.

Em 1995, ao lado de Manuel Serrão, Rui Zink e Rita Blanco, abraça um projecto bem mais polémico, o célebre “Noite da Má-língua”. Seguiu-se o concurso “Só para Inteligentes” e o regresso à tertúlia em “Cantigas de Maldizer” e “Filhos da Nação”.

Em 1998, Júlia muda de registo. Com os programas “SOS SIC” e “SIC 10 Horas”, passa à condição de “amiga das pessoas”, como a própria define.

Após três anos nas manhãs da SIC, aceita substituir Carlos Cruz e volta à provocação nas “Noites Marcianas”.

Decorria o ano de 2001 quando Júlia Pinheiro decidiu sair da SIC, deixando o programa “Às duas por três”, que apresentava ao lado de Henrique Mendes e Fernanda Freitas. Mudava-se para a RTP.

O fugaz regresso à RTP

Após um polémico processo de transferência, Júlia regressa à RTP. Na estação pública começa por apresentar o concurso “O Jogo da Espera”. No entanto, a cereja no topo do bolo do seu contrato com a RTP seria o polémico programa de debates “Gregos e Troianos”.

O bem sucedido concurso “O Elo mais fraco” marcou o fim da sua curta passagem pela RTP, donde sai em litígio.

                             

Olá, TVI

 

Ainda em 2001, Júlia é convidada por José Eduardo Moniz para acumular, na TVI, o papel de apresentadora com o de Directora-adjunta de novos formatos.

Em 2002, a apresentadora regressa à antena com o polémico “Eu Confesso”, seguindo-se os discretos “Rosa Choque”, “Grande Oportunidade” e “Diário da Manhã”.

Depois vêm os reality shows.

Na “Quinta das Celebridades” a apresentadora tem a sua maior prova de fogo. O programa tornou-se num campeão de audiências e, consequentemente, foi alvo de muitas atenções. Júlia é bastante elogiada, fazendo esquecer a, até então, mãe deste género de programas: Teresa Guilherme.

Seguem-se a “1ªCompanhia”, “Circo das Celebridades” e “O meu odioso e inacreditável noivo” e “Pedro, o milionário”.

   

De regresso ao formato “estúdio”, apresenta os programas “Canta por Mim” e “Doutor, preciso de ajuda”.

Este ano, Moniz propôs-lhe um novo desafio: um programa diário, de três horas, à tarde e com o seu nome. “As tardes da Júlia” está há cerca de três meses no ar, e tem tido a dura tarefa de elevar as audiências num horário que tem sido um dos mais fracos da estação.

 

“A mulher mais valia”

 

“É fantástica a sua grande energia”, refere Manuela Moura Guedes. Talvez por isso, ao longo da sua carreira, tenha abraçado inúmeros projectos que não fossem a apresentação: escreveu um livro (O que diz Júlia, 2001, Texto Editora), foi co-autora da série televisiva “A febre do ouro negro”, teve uma produtora (Nanook), experimentou a representação na série “Uma Aventura” e no telefilme “O Segredo”, foi responsável por crónicas em diversas publicações (revistas Máxima e Lux e, actualmente, no jornal 24 Horas), foi o rosto de diversas campanhas publicitárias (Novis, Capital Mais, entre outras) e ainda de diversos projectos de solidariedade, sendo neste momento o rosto da campanha de âmbito nacional de prevenção do cancro do colo do útero.

“Mulher mais valia”, como lhe chamou o crítico televisivo João Gobern, Júlia tem um indiscutível talento para comunicar. Segura, irreverente, com um apurado sentido de humor, quando entra no ecrã, goste-se ou não se goste, ninguém lhe fica indiferente.

“É uma excelente profissional”, refere Júlio Isidro, o responsável pela sua estreia na televisão, há mais de 20 anos.

Enquanto não estreia a segunda série de “Doutor, preciso de ajuda” (prevista para Setembro), continua a apresentar, diariamente, “As Tardes da Júlia”, que, a avaliar pela contínua subida em termos de audiências, está para durar.

Com tudo isto, não nos restam dúvidas de que, se um dia o título de “Senhor Televisão” foi atribuído a Carlos Cruz, o mesmo título, mas no feminino, seja agora atribuído a Júlia Pinheiro.

 

 

 

Fontes:

TV Guia

TV7 Dias

24Horas

Correio da Manhã





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